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SIM, O VÍCIO EM SMARTPHONES PREJUDICA A SAÚDE MENTAL DE ADOLESCENTES

By 22 de abril de 2019 No Comments

Aos pais que se preocupam com o vício dos filhos adolescentes em smartphones: você está certo. Está comprovado por novo estudo que o uso excessivo pode causar danos ao cérebro

Maria Cohut – MNT (Inglaterra)

Seu filho fica grudado no celular? Está sempre online, conferindo as redes sociais ou olhando vídeos de gatos e coelhinhos? Pesquisadores da Universidade da Coréia, em Seul, na Coréia do Sul, afirmam que você tem motivos para se preocupar com isso. Uma pesquisa realizada este ano mostrou que 82% dos americanos possuem ou podem usar um smartphone. Entre os que usam, 92% tendem a usá-lo mais durante as compras, 78% enquanto estão comendo em casa e 44% usam o celular até enquanto atravessam a rua.

Além disso, de acordo com uma pesquisa do Pew Research Center, 73% dos adolescentes têm acesso a um smartphone, e 92% desses adolescentes afirma acessar a internet todos os dias. O médico Hyung Suk Seo, da Universidade da Coréia, adverte que há mais perigo nesse vício do que apenas o potencial de desperdiçar muito tempo compartilhando memes ou vídeos virais. Na verdade, os adolescentes que são viciados em seus celulares e internet podem ter um desequilíbrio químico em seus cérebros, que os predispõem a doenças psíquicas como depressão e ansiedade.

Os pesquisadores apresentaram os resultados de seu estudo na reunião anual da Sociedade Radiológica da América do Norte, realizada em Chicago, IL, nos Estados Unidos.

ADOLESCENTES VICIADOS TÊM MAIOR TENDÊNCIA A DEPRESSÃO

O Dr. Seo e sua equipe trabalharam com 19 adolescentes durante o estudo, todos com 15 anos de idade, em média, sendo nove homens e dez mulheres previamente diagnosticados com vício em smartphones ou internet. Eles foram pareados em termos de sexo e idade biológica com outros 19 adolescentes sem dependência em smartphone.

Os cérebros dos participantes foram examinados usando espectroscopia de ressonância magnética, técnica que permite aos pesquisadores avaliar os níveis de várias substâncias químicas no cérebro em determinado período. Dos 19 adolescentes viciados em smartphones e internet, 12 também receberam terapia cognitivo-comportamental durante 9 semanas como parte do estudo. O tipo de terapia que receberam foi adaptada a partir de um programa direcionado ao vício em videogames.

Para avaliar a seriedade dos vícios dos participantes, pesquisadores usaram testes padronizados com foco na medida em que o uso de smartphones e a internet impactou o desempenho das atividades diárias, que prejudicam atividades e a vida social, bem como o sono e a saúde mental. “Quanto maior a pontuação [nesses testes]”, explica o Dr. Seo, “mais severo é o vício em smartphones”.

Os participantes com vício mais grave também apresentaram problemas de depressão e ansiedade, bem como insônia e comportamento impulsivo.

DESEQUILÍBRIOS QUÍMICOS NO CÉREBRO SÃO REVELADOS

Os adolescentes viciados foram submetidos a espectroscopia de ressonância magnética antes e após a terapia, enquanto o outro grupo foi examinado apenas com uma vez. Os pesquisadores estavam interessados em medir os níveis de ácido gama-aminobutírico e glutamato-glutamina no cérebro.

O ácido gama-aminobutírico é um neurotransmissor inibitório que interage com as sinapses neurais, retardando a sinalização entre as células cerebrais. Ele equilibra o efeito da glumato-glutamina no cérebro, que é um neurotransmissor excitatório e acelera a sinalização elétrica do cérebro.

Desequilíbrios nos níveis de ambos já foram encontrados, em anteriormente em outros estudos, desempenhando transtornos do humor, como depressão e ansiedade.

Após os exames da espectroscopia de ressonância magnética, a equipe descobriu que os participantes viciados, em comparação com o grupo saudável, tinham uma proporção maior de ácido gama-aminubutírico com relação à glumato-glutamina antes da terapia na área do córtex cingulado anterior do cérebro, que está envolvida na cognição e na regulação das emoções.

O equilíbrio químico, no entanto, foi amplamente restaurado no cérebro após intervenções terapêuticas que trataram o vício. O médico, dr. Seo, explica que as proporções da primeira a segunda substância e também do ácido gama-aminobutírico para creatina (substância natural que desempenha um papel na regulação emocional e capacidade cognitiva, entre outros) estão intimamente ligadas à gravidade do vício em smartphones e internet, bem como com o desenvolvimento de ansiedade e depressão.

O pesquisador acredita que os níveis de ácido gama-aminobutírico nos córtices cingulares anteriores de jovens com vício podem estar associados a um processamento cognitivo e emocional danificado no cérebro. Esta ideia ainda não foi confirmada por estudos clínicos adicionais.

“O aumento dos níveis desse ácido e o desequilibrado entre ele e o glutamato no córtex cingulado anterior podem contribuir para o entendimento da fisiopatologia e do tratamento desses vícios posteriormente”, concluiu o médico Hyung Suk Seo.

(Enquanto isso, as descobertas do Dr. Seo e da equipe devem nos inspirar a revisar nosso relacionamento com a tecnologia e estabelecer um exemplo saudável para os usuários mais jovens.)

Thais Gargantini

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