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PERFECCIONISMO EM ASCENSÃO NA GERAÇÃO Y, MAS A QUE CUSTO?

NOVO ESTUDO MOSTRA QUE A GERAÇÃO Y PODE SER CONSIDERADA A MAIS PERFECCIONISTA DE TODOS OS TEMPOS. PORÉM, A MOTIVAÇÃO PARA ALCANÇAR O SUCESSO E PERMANECER NO TOPO PODEM APRESENTAR UM GRANDE RISCO À SAÚDE MENTAL.

Por Maria Cohut – MNT – Medical News Today – Inglaterra – Checagem de conteúdo por Jasmin Collier


Perfeccionismo, ao julgar pelo nome em si, não soa como um traço indesejável. Afinal, é louvável esforçar-se para fazer o nosso melhor em todas as situações – do trabalho à vida familiar. Muitas vezes, no entanto, o perfeccionismo pode dar origem a uma sensação de pressão intensa que pode afetar nosso bem-estar psicológico.

Um estudo que foi recentemente conduzido por Thomas Curran, da University of Bath, e Andrew Hill, da York St. John University, ambos do Reino Unido, mostram que a Geração do Milênio ou Y (mais comumente classificados como os que nasceram após 1980) é a mais predisposta ao perfeccionismo. Isso pode estar afetando a saúde mental dessas pessoas de uma forma que seus pais e avós nunca experimentaram. Os resultados do estudo foram publicados na revista acadêmica Psychological Bulletin.


AUMENTO DO PERFECCIONISMO


Neste artigo publicado, Curran e Hill definem o perfeccionismo como “uma combinação de padrões de conduta pessoal demasiadamente alta e autoavaliações excessivamente críticas”, o que explica por que muitas pessoas propensas a estas experiências podem achar mais difícil de alcançar a satisfação.

Pesquisadores examinaram dados de 41.641 alunos universitários dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido. Esses dados foram obtidos de 164 amostras, realizadas por alunos que completaram a Escala Multidimensional de Perfeccionismo, que mede as diferentes predisposições entre as gerações, do final dos anos 80 até 2016.

Curran e Hill usaram um modelo que levou em conta três tipos diferentes de perfeccionismo:

• Auto-orientado: quando os indivíduos atribuem importância irracional em serem perfeitos e mantêm expectativas irrealistas sobre si mesmos;

• Socialmente prescritos: quando os indivíduos acreditam que o seu meio social seja excessivamente rigoroso, e que devem demonstrar perfeição para obter aprovação;

• Orientados para os outros: quando indivíduos estabelecem normas irrealistas aos que os rodeiam;

A partir das amostras, tornou-se evidente que o grupo de jovens alunos universitários tiveram uma pontuação mais alta em todos os três tipos de perfeccionismo do que as gerações de alunos anteriores.

Os dados revelaram que, de 1989 a 2016, a pontuação média dos alunos da faculdade quanto ao perfeccionismo auto-orientado aumentou em 10%, já o perfeccionismo socialmente prescrito aumentou em até 32%. Enquanto isso, foi observado um aumento de 16% do perfeccionismo orientado para os outros.

Curran e Hill apontam várias razões que podem estar por trás desse grande aumento das expectativas dos millenials sobre si mesmos e sobre os outros.

Estas podem variar desde o fato das culturas ocidentais estarem cada vez mais promovendo um senso maior de competitividade e um individualismo, até a ansiedade e práticas parentais controladoras.

A mídia social também parece ser um fator importante quando se trata de ansiedade dos millenials sobre a imagem corporal e integração social, pois essas representações irreais levam as gerações mais jovens a buscarem corpos perfeitos e inatingíveis, aumentando a sensação de isolamento dos indivíduos.

Entretanto, Curran acrescenta que essa teoria precisa ser confirmada por mais pesquisas.


MUITA PRESSÃO SOBRE OS Y


Outros fatores, incluindo demandas educacionais cada vez maiores e a pressão para encontrar um emprego bem remunerado também podem contribuir para o inflado senso de perfeccionismo desta geração.

A ascensão da meritocracia também pode ser a culpada, explica Curran. “A meritocracia coloca uma forte necessidade dos jovens se esforçarem, desempenharem e conquistarem na vida moderna”.

Os jovens estão reagindo ao relatarem que as expectativas educacionais e profissionais estão cada vez mais irrealistas. Como resultado, o perfeccionismo está aumentando entre os millenials.

Os dados dos pesquisadores mostram que cerca de metade dos graduados do ensino médio na turma de 1976 tinham como objetivo terminar a faculdade. Em 2008, mais de 80% dos alunos do ensino médio já esperavam obter um diploma.

“Essas descobertas sugerem que as gerações mais recentes dos alunos universitários têm expectativas maiores de si mesmos e dos outros do que nas gerações anteriores”, observa Curran.

Ele acrescenta, “Os jovens de hoje estão competindo uns com os outros a fim de enfrentar as pressões sociais para terem sucesso, e sentem que o perfeccionismo é necessário para se sentirem seguros, aceitos e valorizados em seus meios sociais".

Como conclusão, Curran and Hill expressaram sua preocupação de que os altos níveis de perfeccionismo da geração Y possam ser os culpados pelo recente aumento de doenças mentais que afetam um número recorde de jovens.

Esta Geração Y está experimentando níveis muito maiores de depressão, ansiedade e ideação suicida do que há uma década, comentam os autores do estudo.

Ao refletir sobre essa realidade preocupante, Hill incentiva as escolas e outras autoridades sociais a diminuírem o estimulo de competitividade entre os colegas, levando em conta os riscos que podem apresentar para a saúde mental destes.

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