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NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL: REVELARÁ COMO APRENDER MELHOR

By 5 de dezembro de 2017 No Comments

Telas com imagens cerebrais dos alunos, monitorando seu nível de aprendizado, poderão ser equipamentos das salas de aula do futuro

 

Por Marc Szeligowski

Quando falamos em educação e aprendizado, estamos falando em processos neurais, redes que se estabelecem, neurônios que se ligam e fazem  novas sinapses. E o que entendemos por aprendizado? Aprendizado, nada mais  é do que esse maravilhoso e complexo processo pelo  qual o cérebro reage aos  estímulos do ambiente, ativa essas sinapses (ligações entre os neurônios por onde  passam os estímulos), tornado-as mais “intensas”. A cada estímulo novo, a cada repetição de um comportamento que queremos que seja consolidado temos circuitos que processam as informações que deverão ser então consolidadas.

A neurociência vem exatamente, descortinar este processo, ou seja o momento exato da aprendizagem, antes desconhecido para nós. A neurociência trata do cérebro, esta máquina tão complexa e ao mesmo tempo tão fundamental no desenvolvimento cognitivo do ser humano.

Segundo o pesquisador Daniel Ansari, renomado professor da Universidade de Western Ontario, “Sem o cérebro, não há aprendizado nem educação. A educação altera o cérebro, e o próprio cérebro é estruturado para ser capaz de processar as informações e assim ser educado. Os educadores são os diretores da plasticidade neuronal em suas salas de aula. Portanto, é evidente que uma melhor compreensão da função cerebral é informativa para os professores”.

Portanto a neurociência aplicada na educação é um dos ramos que mais está se desenvolvendo e vislumbra descobertas que poderão levar a aplicações sem precedentes, próximas à ficção científica no futuro. Através dela, o professor será capaz, de avaliar o aluno na sua individualidade, perceber as deficiências de cada um, bem como, as causas das dificuldades. Podemos vislumbrar a sala de aula do futuro, com aplicativos baseados nas neuroimagens que quantificariam instantaneamente o nível do aprendizado de cada aluno em relação a aula.Imaginem, imagens cerebrais dos alunos numa tela eletrônica ao lado da lousa, monitorando o nível de entendimento de cada um da classe para os professores,tudo instantaneamente e de forma científica.

A Universidade de Stanford anunciou, através de um artigo recente, um projeto iniciado que conecta pesquisadores da sua renomada faculdade de educação, com seu centro de pesquisas em neurociência. Este projeto pode sinalizar um marco acadêmico que consolida o promissor futuro da neurociência educacional.

Abaixo a transcrição do artigo o qual divulga inclusive, estudos, que já comprovaram descobertas concretas sobre o processo do aprendizado.

PESQUISADORES DE STANFORD DA EDUCAÇÃO E NEUROCIÊNCIA, SE UNEM, INVESTINDO NO CRESCENTE CAMPO DA NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL

cerebroneuronio

Com avanço nos métodos de imagens do cérebro, neurocientistas e educadores poderão agora identificar mudanças no cérebro das crianças durante o aprendizado, e começar a desenvolver formas de personalizar a instrução para estudantes que estão ficando para trás.

Professor de Educação, Bruce McCandliss faz parte de uma equipe interdisciplinar de pesquisadores envolvidos no crescente campo da neurociência educacional.

O cérebro de uma criança nos primeiros anos escolares, passa por uma transformação dramática, primeiro para desenvolver a capacidade de identificar letras ou números, e em seguida, para aprender a interpretar esses símbolos em palavras escritas ou operações matemáticas.

Essa transformação se dá em função de novas conexões que passam a ser operadas e reforçadas no cérebro. “Esta reorganização cerebral é impulsionada pela atividade que está acontecendo na sala de aula”, disse Bruce McCandliss, professor de educação. Recentemente, ele se integrou a equipe da Universidade de Stanford, para ser o âncora na Escola Superior de Educação de uma equipe interdisciplinar de cientistas que está envolvida no crescente campo da neurociência educacional.

“Queremos entender como estas experiências educacionais estão impulsionando mudanças no cérebro, e queremos ainda personalizar as experiência para diferentes alunos”, disse ele. McCandliss foi atraído para Stanford em parte pelo Instituto de Neurociências de Stanford, que visa conectar neurociência e questões sociais como a educação, com o objetivo de desenvolver técnicas de imagens cerebrais que meçam respostas frente aos estímulos da educação.

“Stanford é visto como um lugar de inovação no ensino de pós-graduação”, disse McCandliss. “Nós também temos um departamento de arte especializado em neuroimagem e uma renomada escola de educação. Que melhor lugar para treinar a próxima geração de líderes em neurociência educacional?”

IDEIA ANTIGA, NOVAS FERRAMENTAS

A ideia de tentar incorporar neurociência em métodos de ensino não é nova, de acordo com James McClelland, professor de psicologia, que passou décadas estudando como as pessoas aprendem a ler e compreender conceitos. O que há de novo é que agora temos alta tecnologia de imagens cerebrais capazes de concretizar as conexões e transformações que estão ocorrendo.

“Nós estamos no limite de sermos capazes de caracterizar os principais padrões de conectividade dentro dos cérebros dos indivíduos, utilizando novos métodos de imagem”, disse McClelland, o Professor Stern Lucie nas Ciências Sociais.

Esse esquema de ligações do cérebro é único em cada pessoa e muda com experiências, disse ele. Estas novas técnicas de imagem, em última análise permitem pesquisadores descobrirem como essas conexões mudam à medida que as crianças aprendem.

“Isto vai ser muito bem mapeado em alguns anos”, disse McClelland, que também é o diretor do Centro de Stanford para Mente, Cérebro e Computação. “Representa uma oportunidade para tecer uma ampla investigação do que se passa em um ambiente educacional em conjunto com muitos outros níveis de análise”, disse McClelland.”A combinação destas análises vai ser importante para ajudar-nos a compreender como as pessoas aprendem e a partir dái definir a melhor forma de apoiar seu desempenho escolar.”

VENDO DENTRO DO CÉREBRO

Em uma série de experimentos, McCandliss, utilizando um tipo de imagens do cérebro que revela conexões ou extensões de neurônios, registrou de forma separada o cérebro de crianças que eram bons leitores e outras que mostraram sinais de dislexia. Nesta amostra, ele descobriu que as crianças que eram melhores leitoras, tinham conexões cerebrais mais fortes na mesma região. “Há uma relação profunda entre a maneira como o cérebro de uma pessoa é organizada e como essa pessoa mostra habilidades intelectuais abstratas, como leitura ou matemática”, disse ele.

Stanford Report, 21 de novembro de 2014 – AMY ADAMS

Em um estudo de acompanhamento, ele e uma equipe que incluía Allan Reiss, Howard C. Robbins Professor de Psiquiatria e Ciências Comportamentais e professor de radiologia, descobriram que crianças com dislexia que ativam uma região específica do cérebro, ao tentarem ler, evoluem muito mais em sua capacidade de leitura. Crianças que não ativam esta região tiveram muito pouco ganho de leitura após a idade de 14 anos. “A esperança é que, através da compreensão da natureza dessas diferenças, sejamos capazes de ajustar as intervenções para cada indivíduo”, disse McCandliss.

Embora muito do seu trabalho esteja restrito a questão da leitura, McCandliss também está investigando as diferenças individuais na forma como as crianças aprendem conceitos matemáticos.

Assim como McCandliss, o psicólogo Brian Wandell, Isaac e Madeline Stein, Professores na Universidade de Stanford, tiveram interesse em compreender as alterações cerebrais que acontecem quando as crianças aprendem. Isto os ajudou a desenvolver as tecnologias para observarem quais regiões do cérebro ocorreram conexões fortes durante o aprendizado.

Ao olhar para estas vias neuronais em crianças que estão tendo dificuldade de leitura, MacCandliss espera, um dia, ser capaz de diagnosticar dificuldades de leitura e, então, recomendar de forma objetiva intervenções para elas com base em imagens do cérebro.

“Esta tradução da neurociência identificando as mudanças nas vias neuronais durante a educação fará Mccandliss ajudar no desenvolvimento de terapias para ajudar essas crianças. Sua presença aqui vai terminar uma peça do quebra-cabeça, de como Stanford pode fazer a diferença no avanço das idéias do trabalho conjunto entre educação e neurociência”, disse Wandell. Acrescentou que “Se nossos colegas que trabalham com educação de crianças procurarem juntos métodos e maneiras que a neurociência possa ser útil, então nós concretizaremos o sucesso”

NEUROCIÊNCIA PODE GARANTIR RESULTADO

Daniel Schwartz, professor de educação, diz que a relação entre educação e neurociência vai nos dois sentidos. “Os neurocientistas poderiam, além de formular um melhor diagnóstico da causa de um atraso de aprendizagem, poderiam ainda, dar alguma ajuda com o tipo certo de instrução”, disse Schwartz.

Uma das áreas de pesquisa de Schwartz tem buscado entender como as pessoas entendem os números negativos. “Escolhemos os números negativos, porque nós simplesmente não funcionamos em objetos negativos, este conceito é uma invenção cultural muito recente”, disse ele. Ele e sua equipe descobriram que a região do cérebro que processa simetria, estava ativa quando as pessoas resolveram, especificamente, problemas que têm a ver com números negativos. “Criamos um método com base nesta descoberta que acarretou numa melhora do aprendizado das crianças”, disse Schwartz, que também é o Professor Nomellini & Olivier em Tecnologia Educacional.

Em outros casos, os professores podem trazer problemas que encontram na sala de aula para os neurocientistas para ajudar a direcionar a pesquisa. “Os professores também podem ajudar os neurocientistas enquadrar a investigação de uma forma que seja útil”, disse McCandliss.

McCandliss ressalta que detectou que em Stanford há uma massa crítica de pesquisadores que estão interessados em integrar conhecimentos, através da educação e da neurociência, e que compartilham a idéia de que tais conexões podem aumentar os dois tipos de pesquisa e, potencialmente, fazer a diferença na vida dos jovens alunos.

Concluindo, a neurociência educacional incrementada num dos maiores celeiros de pesquisadores do mundo, como Stanford, e aguça nossas expectativas em relação a resultados espetaculares na educação num futuro não tão distante.

Fontes:

Universidade de Stanford

Daniel Ansari professor da

Universidade de Western Ontario

Thais Gargantini

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