Educação

ÀS VEZES, A AUSÊNCIA DE TECNOLOGIA É A MELHOR TECNOLOGIA EM EDUCAÇÃO

By 3 de abril de 2019 No Comments

Howard Pitler – ASCD  EUA & EXPO

Tornei-me diretor de uma escola pública especializada em tecnologia em 1989. Nove anos depois, fui nomeado Notável Educador Apple. Em 2016, virei professor certificado da Apple. Como principal autor da Using Technology with Classroom Instruction that Works, 2nd Ed. e de vários artigos sobre integração de tecnologia, continuo sendo um ávido defensor do aprendizado auxiliado pela tecnologia. Seu uso permite que os alunos façam ou criem coisas que não seriam possíveis de outra maneira. Sabendo de tudo isso, você talvez questione: por que eu, de todas as pessoas, deveria aconselhar os educadores a restringir a tecnologia na sala de aula.

Em um episódio de The Big Bang Theory, da CBS (2ª temporada, Episódio 13), Leonard lembra Sheldon, seu companheiro de quarto e cientista, da época em que aprendera a nadar no chão pela Internet. Sheldon afirmou na defensiva: “As habilidades são transferíveis. Eu simplesmente não tenho interesse em entrar na água.” Evidentemente, há momentos no processo de aprendizado que os alunos aprendem melhor “ao mergulhar na água ”. Tome como exemplo as aulas de habilitação.

Você se lembra das etapas de aprendizagem na sua experiência? Você provavelmente começou na sala de aula, assimilando o conhecimento teórico necessário para dirigir um carro, como as regras da estrada, as leis de trânsito vigentes e outros princípios básicos. Você também pode ter passado um tempo em um simulador, praticando manobras evasivas que seriam muito perigosas para um novato tentar na estrada. Ainda assim, você e seu professor sabiam claramente que o livro e o simulador nunca poderiam  substituir o ato de pegar no volante. Um aplicativo não seria suficiente. Experiências simuladas não conseguem ser substituídas adequadamente como forma de adquirir conhecimento prático e real.

Nas salas de aula de matemática, muitos professores agora estão aumentando, e às vezes até substituindo, instruções diretas por aplicativos ou instruções em vídeo fornecidas por terceiros, como a Khan Academy. Embora esses aplicativos e sites ofereçam um meio para muitos alunos reforçarem a compreensão de suas competências e processos básicos, faltam elementos do discurso e reflexão dos alunos.

Quando visitei recentemente uma aula de álgebra no ensino médio, observei que os alunos concluíram as lições referentes aos objetivos do dia da Khan Academy, trabalhando individualmente em seus laptops. Após essa experiência on-line de 10 minutos, os alunos fecharam seus laptops e formaram grupos de três, de acordo com o nível de progresso de cada um. Cada grupo trabalhou em cima de poucos problemas de álgebra, discutindo diferentes maneiras para resolvê-los. Alguns trabalhavam em quadros brancos interativos, enquanto outros trabalhavam em papel. Eles se engajaram em verdadeiras reflexões e resolução de problemas, despertando um diálogo sobre matemática: uma versão de conversas númericas. Os alunos se ajudaram mutuamente, desafiaram seus próprios pensamentos e, assim, aprenderam um com o outro.

No final da aula, perguntei a alguns alunos o que eles gostaram sobre a maneira em que a lição foi estruturada pelo professor. De fato, eles gostaram de poder trabalhar no seu próprio ritmo on-line, mas todos os alunos com quem conversei expressaram que o que realmente gostaram na aula foi o tempo que passaram conversando entre si sobre o aprendizado. Todos os alunos concordaram que as conversas foram a melhor parte da experiência de aprendizado, e que o feedback recebido dos outros aprofundou a compreensão sobre o conceito.

O professor poderia ter alcançado um objetivo semelhante ao fazer com que os alunos compartilhassem seus pensamentos por meio do TodaysMeet ou Google Hangouts? Talvez. Mas a grande questão é: Qual a finalidade disso? Bons educadores planejam suas instruções intencionalmente. Eles pensam sobre o que eles querem que seus alunos entendam e aperfeiçõem, e então adaptam suas estratégias de aprendizado para alcançar esse objetivo.

A verdadeira arte de ensinar está em saber quando e como usar a tecnologia para melhorar o aprendizado. Às vezes é melhor usar um livro ou um quadro branco. Outras vezes, envolver os alunos com simulações on-line e educação auxiliada por computadores seria uma estratégia apropriada. E, em certas ocasiões, é melhor desconectar e interagir com outras pessoas, cara a cara, em tempo real.

“Aprender a nadar no chão pela internet?! Evidentemente, há momentos no processo de aprrendizado, que os alunos aprendem melhor ‘ao mergulhar na água’”

A ASCD

A ASCD, tradicional e consagrada entidade educacional internacional com sede nos EUA, fundada em 1943 Dedicada à excelência na aprendizagem, ensino e liderança, para que cada criança seja saudável, segura, engajada, apoiada e desafiada.

Possui 114.000 membros – mantenedores, diretores, professores e defensores de mais de 127 países. Conta também com 57 organizações afiliadas pelo mundo.

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